
A diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Federal do ABC (ADUFABC) expressa seu mais veemente repúdio às agressões e violações de direitos fundamentais perpetradas pela Polícia Militar de Tarcísio de Freitas na madrugada de domingo, 10 de maio último, durante a desocupação da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP).
As ações da PM, que incluíram a prática criminosa de punições físicas por meio do chamado “corredor polonês”, são inadmissíveis, e seus perpretadores precisam ser identificados e punidos exemplarmente para que tais atrocidades não voltem a se repetir.
Que as corporações militares continuem, ao arrepio da lei e mais de 115 anos depois da Revolta da Chibata, comandada pelo Almirante Negro João Candido, a aplicar punições físicas extrajudiciais às cidadãs e aos cidadãos brasileiros é fato da maior gravidade e que deve ser repudiado por toda a parcela civilizada e democrática da sociedade brasileira, e seu fim deve ser imposto, pelo rigor da lei, às instituições que permanecem em estado de barbárie e insubmissão à Constituição.
Estendemos nosso profundo espanto e rejeição à Reitoria da USP, que, quase quarenta anos após o encerramento da ditadura militar e pouco mais de três anos após a tentativa de assassinato do presidente e vice-presidente da República eleitos e de ministros do STF como parte de uma tentativa de executar novo golpe militar contra as instituições republicanas e o povo brasileiro, na prática recorreu aos órgãos de repressão para, mais uma vez, resolver pela violência disputas políticas democráticas no interior da comunidade universitária. A normalização dessa prática por outras Reitorias da USP nas últimas décadas revolta toda a comunidade universitária brasileira. Mas nunca tínhamos chegado tão longe.
Repudiamos também, e com a maior veemência, o recurso pelo governador Tarcísio de Freitas e sua base da extrema-direita bolsonarista à violência como padrão de ação política. Essas facções extremistas que ressurgiram dos porões da ditadura na política brasileira, não satisfeitas em verem o golpe militar de 2022 malogrado e seus comandantes presos, pretendem mais uma vez promover a violência política em ano eleitoral, esperando com isso calar a vontade popular. Serão mais uma vez derrotados.
Finalmente, externamos a nossa mais fraternal solidariedade às alunas e aos alunos da USP, da Unicamp e da Unesp que, com plena consciência de seu dever politico de lutar contra a extrema-direita e o bolsonarismo, levantam-se e bravamente resistem à violência política e policial perpetrada pela PM, pela Reitoria da USP e pelo governador Tarcísio de Freitas e seus acólitos municipais.
A luta dos estudantes é a luta de todas e todos que dedicam suas vidas à construção de um país soberano, democrático e popular.
Diretoria da ADUFABC (2024-2026)
Santo André e São Bernardo do Campo, 13 de maio de 2026
São Bernardo do Campo, 12 de maio de 2026.